O círculo vicioso do desinteresse pela política

Izabel MelloBernardo Lustosa, Educação, Engajamento cívico, NOVOLeave a Comment

 
Muita gente anda desanimada com a política devido às recentes mostras de corrupção evidenciadas na imensa maioria dos partidos e políticos brasileiros de direita, centro e esquerda. Este artigo mostra de forma objetiva que este desinteresse somente contribui para a piora do ambiente político, mantendo a mesma política velha que aí está e gerando ainda mais desânimo…
 
A primeira coisa a ser lembrada é uma frase do célebre Sartre: “…o que não é possível é não escolher. Eu posso sempre escolher, mas devo estar ciente de que, se não escolher, assim mesmo estarei escolhendo.”  Jean-Paul Sartre
Esta frase vale muito para aqueles que afirmam coisas do tipo: “não vou votar em ninguém” ou “vou anular todos os meus votos”, etc. Vale lembrar que o voto é obrigatório no Brasil. Ainda que não fosse, quando alguém se abstém e vota branco ou nulo, está na verdade endossando a opinião da maioria e concordando com o vencedor. Não há como negar este fato e dizer que não é responsável pelo governo. Quem “não votou em ninguém” é quase tão responsável pelo vencedor quanto quem o escolheu.
 
Ou seja, ainda que você se encontre no segundo turno diante de dois terríveis candidatos, é um dever pensar e escolher o menos pior. Esta é a realidade. Obviamente o ideal é levar os melhores para o segundo turno.
O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam – Arnold Toynbee
 
Outra ação comum dos desinteressados é o conhecido voto de protesto. A conhecida história do voto no Macaco Tião serviu para mostrar a descrença da população nas eleições cariocas de 1988, mas do ponto de vista eleitoral, endossou a vitória de Marcelo Alencar.
 
Atualmente, com o advento da urna eletrônica, não se pode mais votar no Macaco Tião. Infelizmente, o cenário piorou. Em eleições para cargos legislativos, o voto de protesto acaba levando consigo os mesmos figurões para a política de sempre, que já montam estratégias para se beneficiar da ação destes eleitores.
 
Isso decorre do quociente eleitoral, onde os candidatos menos votados do partido ou coligação recebem o “voto excedente” dos mais votados. Este excelente video do site Nexo mostra didaticamente a questão do quociente eleitoral e cada um pode imaginar suas possíveis consequências.
Um exemplo conhecido é o palhaço Titirica. Pela votação expressiva que conseguiu através dos votos de protestos, Titirica levou consigo mais três deputados federais nas últimas eleições. Quem votou em Tiririca, em sua simples opção de protestar, acabou elegendo três congressistas que não conhece e portanto, não será representado. Normalmente, o fenômeno acaba mantendo mais figurões da velha política que conhecem as regras do jogo.
 
É difícil imaginar que o eleitor descrente, insatisfeito e revoltado queira manter o jogo político como está, quando ele justamente se diz descrente dele. Entretanto, ao atuar de acordo com o discurso, o cidadão acaba justamente contribuindo para manter o principal motivo de sua indignação.
 
Por Bernardo Lustosa, filiado do NOVO
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